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A impunidade que não se pode aceitar

Quem matou e quem mandou matar Marielle? A impunidade não pode protegê-los. A comunidade política brasileira, as redes sociais, a opinião pública, simplesmente não aceitarão que se finja que nada aconteceu ou que o acontecido é banal. Não é. Há milícias envolvidas, mas ainda não se sabe quem as integra, se há fardas ou somente capuzes. Sabe-se, porém, que a política e a criminalidade nunca andaram de braços tão dados como agora. No Rio de Janeiro, mas não somente lá.

Precisamos chorar, espernear, protestar, ir à luta e denunciar o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSol-RJ) e de seu motorista, Anderson Gomes. Houve uma execução, sumária e cruel. Dela, que dignificava seu mandato, e de seu motorista, um trabalhador.

O horror não pode produzir recolhimento e indiferença. É preciso agir para que a firmeza e a serenidade prevaleçam entre nós, no Estado e no espaço público. O pior virá se os que lutam e protestam se deixarem levar pelo esquematismo irracional, que está na base da ação dos que querem endurecer e tolher a democracia.

Situações complexas como as nossas não comportam causalidades simples. O “caos” é parte intrínseca delas. Totalizações devem ser dialéticas ao extremo, cuidadosas e rigorosas, sob pena de ligarem o que não pode ser ligado e de não articularem o que deve ser articulado. Tudo ficou mais difícil. As responsabilizações que precisam ser feitas ocorrerão em um quadro no qual as responsabilidades tendem a se esfumar e não conseguem ser cabalmente capturadas.

Quem matou e quem mandou matar Marielle? Por qual motivo, com que propósito? A impunidade não pode protegê-los. A comunidade política brasileira, a sociedade civil, as redes sociais, a opinião pública, simplesmente não aceitarão que se finja que nada aconteceu ou que o acontecido é banal. Não é. Execuções sumárias não são acidentais. Há milícias envolvidas, mas ainda não se sabe quem as integra, se há fardas ou somente capuzes. Sabe-se, porém, que a política e a criminalidade nunca andaram de braços tão dados como agora. No Rio de Janeiro, mas não somente lá.

Acordos poderão ser tentados, eventualmente para trocar uma intensificação da violência, que aterroriza, por uma calma aparente, que apazigue. Nesse caso, uma intervenção como a que se tem no Rio exibirá sua face mais frouxa e fake. Se seguir caminho inverso, alcançará uma vitória. Em nenhuma hipótese, porém, fará sentido instrumentalizar politicamente, à direita ou à esquerda, a morte de Marielle.

A luta precisa ser de todxs, cariocas ou não, sem cortes de classe, gênero ou ideologia. Que se exija do Estado, de seus organismos e representantes, o esclarecimento completo de um crime que tirou a vida de uma jovem combativa e que deseja roubar o futuro do país. É o mínimo que se pode requisitar.

A situação é grave, delicada, provoca medo, pesadelos, tristeza, estupor. Como disse o matemático e professor Marcos Cavalcanti no Facebook, estamos diante de “um enigma que interessa a todos nós. Ou o deciframos ou seremos devorados por ele. Nós e o general”.

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