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Seguir em frente

Dada a temperatura elevada que acompanha a evolução da crise política, com suas contradições, algumas providências deveriam ser tomadas para que possamos seguir em frente, ou ao menos tentar.

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Os que são contra o governo precisam vir a público e dizer que os mascarados não os representam, se é que foram esses que vandalizaram a Esplanada ontem. Ficar deitando falação contra a “repressão militar” que teria feito a democracia sangrar e nos ameaçaria com um “estado de exceção” só serve para desopilar o fígado dos ressentidos. É preciso denunciar (sempre) arbítrios e a violência da polícia, que não tem preparo para lidar com manifestações de massa e deve ser criticada por isso. Mas a crítica da ação policial não se completa sem a crítica da violência de eventuais manifestantes.

(2)

Dar aos fatos o justo peso e a justa dimensão. Não inflacioná-los ao bel-prazer como se fossem matéria plástica. Um pouco de serenidade e rigor não faz mal a ninguém.

(3)

É preciso inventar formas novas de política, organizações de novo tipo, práticas inovadoras e espaços reflexivos plurais.

(4)

Não basta ficar falando em “nova política”. É preciso dar materialidade a ela, o que é algo de longo prazo mas que deve começar desde logo.

(5)

Fazer política com mais seriedade e mais racionalidade. Liderada por pessoas como Gleisi, Randolfe, Renan e Lindbergh, a oposição parlamentar não sai do lugar e arrasta a esquerda para o fundo do poço.

(6)

Não se pode comer o ovo antes da galinha botá-lo. Primeiro, as primeiras coisas. O resto depois se vê. Se há uma Constituição, que ela seja respeitada e seguida, até para que possa ser emendada ou eventualmente refeita. Desmanchar tudo em nome da “ruindade” e da falta de representatividade do atual Congresso é tão irresponsável quanto dizer que com a eleição direta de um novo presidente os problemas serão resolvidos.

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(7)

Se Temer cair, o que deverá acontecer, teremos de pensar no curto prazo. Não é razoável que se ache que o País ficará bem se for aberto um longo processo de reformulação constitucional que dê abrigo a eleições diretas. Uma opção deste tipo, dadas as circunstâncias, não se efetivará sem dor e sofrimento. Eleições diretas só fazem sentido se houver debate público, regras claras e tempo de preparação. Sem isso, são farsescas. Durante os longos meses em que transcorrerão as campanhas, quem governará? É mais razoável ter uma solução indireta que prepare o sistema e a opinião pública para 2018.

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Fazer a devida análise concreta da situação concreta. Está escrito nas estrelas: os partidos principais – PT, PSDB, PMDB – não serão competitivos se não se reestruturarem fortemente, se não lavarem a roupa suja em público e confessarem seus crimes, pedindo desculpas à sociedade. Achar que Lula vencerá automaticamente, por ser o “mais querido”, não corresponde à realidade. Nem ele, nem Alckmin, nem qualquer um que vier pelo PT ou pelo PSDB sem a devida reestruturação passarão pelo crivo dos eleitores.

(9)

Olhar com cuidado para o que se apresenta como novidade. Não há um Macron entre nós. Outsiders não se improvisam: os melhores deles estão enraizados. Os piores morrem na praia e fomentam o deserto em torno deles. Vale o mesmo para a síndrome da extrema-direita. Ela está aí, ganhou força, mas não venceu em lugar nenhum. Será assim também no Brasil. Não fazer, portanto, tempestade em copo d’água.

(10)

Não dar credibilidade imediata ao que sai na imprensa, nem na nacional nem sobretudo na internacional. Jornais e jornalistas fazem o que podem, trabalham a quente e estão sujeitos à rápida mutação dos fatos, a interpretações várias e a informações extraídas de fontes muitas vezes não confiáveis. É por isso que temos de buscar os melhores dentre eles, que são invariavelmente os mais equilibrados. Seguir o Monde, o Guardian ou El País como se fossem um manual de verdades pétreas é pura ilusão.

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