
O vendaval conservador
A pregação bolsonariana valeu-se da efervescência de certas vertentes que agitaram os rios subterrâneos da sociedade. Soube perceber o efeito político-eleitoral delas e as manipulou com eficácia.
Descubra esse livro inteiramente dedicado a examinar os temas e problemas atuais, da ascensão da extrema direita ao populismo, da vida digital ao identitarismo
Numa dinâmica e instigante conversa, publicada no canal de Risério no Youtube, o antropólogo e o sociólogo discutem as principais questões da agenda política e cultural contemporânea.

A pregação bolsonariana valeu-se da efervescência de certas vertentes que agitaram os rios subterrâneos da sociedade. Soube perceber o efeito político-eleitoral delas e as manipulou com eficácia.

Espaço há, mas é estreito e está congestionado. Para Ciro Gomes, terceiro colocado nas pesquisas de intenção de voto, é o passo derradeiro. Se der

Não houve esforço pedagógico das campanhas para chamar os cidadãos a um voto qualificado. Arrastada pelos embates políticos, pelos conflitos morais, pela recessão econômica e pelas mudanças no mundo do emprego, a sociedade ficou desorientada.

Não chamar as coisas pelo verdadeiro nome é um erro grosseiro, que só faz gerar confusão. O revisionismo do Presidente do STF carece de fundamentação e lógica.

A direita extrema e a radicalização da esquerda encurralaram a esquerda moderada – social-democrática, reformista, socialista, liberal-socialista –, impedindo-a de marcar posição. O desentendimento e a intolerância aumentaram

O modo como avançou a disputa indica que o próximo ciclo não será produtivo. As campanhas deseducam a população, fazendo com que os eleitores sejam induzidos a acreditar que do céu cairá uma chuva de fartura ou o fim da bandidagem e da corrupção.

Ele não é “o” liberalismo, mas uma versão conservadora do liberalismo. Quer mais mercado e pouco Estado, Posicionado no terreno da democracia, expressa a direita civilizada, aberta ao diálogo e ao debate de ideias.

A crise política é moral, técnica, institucional. Ricocheteia em tudo, bloqueando a vigência da racionalidade democrática e o surgimento de elites generosas, conscientes de uma transição epocal que, hoje, se processa às cegas.

Nenhuma disputa política pode ganhar com a eliminação física dos adversários. Em condições democráticas, a “guerra” se faz de outro modo. A política precisa se afirmar não como poder, mas como convite ao diálogo, à mediação do que é diverso e plural.

Candidata da Rede sofre várias acusações. São quatro estigmas que não correspondem à sua trajetória. Os compromissos de Marina são generosos e é preciso discutir a questão que pode de fato comprometê-la: a fraqueza da Rede e a ausência de alianças mais amplas

Os candidatos não podem transferir para oligarcas ou “golpistas” responsabilidades que precisam ser contabilizadas coletivamente e assumidas antes de tudo por eles mesmos.
Repetir slogans e chavões, incorporar o espírito de terceiros para iludir o povo e jurar ataques frontais aos bancos podem impressionar os incautos, mas não ajudam a que o País encontre uma rota.

Cálculos eleitorais são apostas, cada uma com sua dignidade, seus limites e suas possibilidades. Têm muitas traduções, sobretudo em processos eleitorais. Candidatos falam como se não houvesse amanhã. Comportam-se como políticos antipolíticos.