Lee Kyu Hak, Mixed midia art
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Minha lembrança de Clóvis Rossi (1943-2019)

Nas visitas que fez à redação do semanário comunista 'Voz da Unidade', o grande jornalista demonstrava que jornalismo se faz sem obediência a muros ideológicos, à base de muita conversa, disponibilidade e abertura de espírito.

A morte do jornalista Clóvis Rossi, aos 76 anos, mexeu com a imprensa brasileira, da qual ele era uma das principais referências. Grande repórter, autor de coberturas excepcionais e colunas memoráveis, observador atento do que se passava no Brasil e no mundo, com seu texto impecável, Clóvis formou uma legião de fãs e amigos. Foram inúmeras as manifestações de pesar quando morreu no último dia 14 de junho.

A essa altura, praticamente tudo já foi dito a respeito dele. Fui seu admirador, mas não tive a oportunidade de ser seu amigo. Nunca conversei com ele, em que pese a admiração. Gostaria de ter podido lhe dizer que ele representava o que o jornalismo tem de melhor: independência crítica, sem concessões a patotas ou torcidas organizadas.

Lembro-me das vezes em que deparei com Clóvis Rossi sentado na antessala da redação do semanário comunista “Voz da Unidade”, que ficava na Rua Cesário Mota, na Vila Buarque, São Paulo. Ele não era comunista nem próximo do partido, mas ia lá a convite de Gildo Marçal Brandão, que editava a “Voz” e também trabalhava na Folha, onde convivia com vários profissionais da imprensa. Era 1980. Gildo queria a opinião de Clóvis, eventualmente sua colaboração, tinha interesse em saber o que o grande jornalista achava do trabalho que se fazia no semanário.

Para mim, que participava da lide diária da “Voz”, era estimulante receber visitas como a de Clóvis. Passava-me um selo de qualidade e, acima de tudo, expressava o que queríamos fazer no semanário: por em circulação um jornal comunista democrático, plural e aberto para a sociedade. Gildo era um defensor apaixonado dessa posição, que defendia com brilho e determinação.

As visitas de Clóvis não tiveram maiores desdobramentos práticos.  Ficaram-me na memória, porém, como uma demonstração cabal de que jornalismo se faz sem obediência a muros ideológicos, à base de muita conversa, disponibilidade e abertura de espírito.

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3 comentários em “Minha lembrança de Clóvis Rossi (1943-2019)”

  1. Marco, compartilho com vc a admiração pelo Clovis Rossi. Figura humana, aberta ao diálogo, paciente com os jovens jornalistas, preciso na palavra. Estive com ele algumas poucas vezes por conta das atividades da Fundação Adenauer. Será lembrado por muitas gerações. obrigado. abraço

  2. Eu, sempre agradeço por seus textos Professor. Achei TB que já tinha lido tudo sobre Clóvis! Me deparei com teu agradecimento ao legado por ti observado e li o “novo”. Obrigada.

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